16 janeiro 2014

The Hunger Games - Catching Fire




"Remember who the enemy is."






Passado um ano, regressamos à arena. Ou, verdade seja dita, e como Katniss dolorosamente se apercebe, nunca chegámos a sair do seu interior.
O segundo capítulo da trilogia " The Hunger Games" retorna em força. Tecnica e visualmente irrepreensível, explora de forma convincente e surpreendente as consequências dos eventos ocorridos nos últimos Jogos. Jennifer Lawrence retoma o seu papel como uma anti-heroína ainda mais destemida e atrevida. Pena é que a sua química com Josh Hutcherson não seja a mais flamejante.
Apesar disto, e sem querer revelar pormenores, "Catching Fire" supera entusiasticamente o seu antecessor, oferecendo-nos o que esse nem sempre mostrou: chama, muita chama!
E na espera que se segue, despeço-me com a questão: cantará o tordo por fim em liberdade?



14 janeiro 2014

Cinematograficamente Musicando (7)




Don't Stop Me Now 

(Queen - 1978)





A energética e contagiante música dos Queen protagoniza um dos momentos mais hilariantes e geniais da brilhante e tão "british" sátira que é "Shaun of the Dead".


07 janeiro 2014

Jagten (The Hunt)




The world is full of evil 
but if we hold on to each other, it goes away. 






E se o mal surgir da mágoa de uma criança? Mas “As crianças nunca mentem!”, ouve-se uma e uma e outra vez. Mais até do que “Não o fiz. Não sou culpado.” E se esta nuvem de ambiguidade ensombrasse todo o filme, eu não o iria recordar somente pela sua bucólica e singular cinematografia. Pena é que nem por momentos me tolde o juízo. Klara está a mentir. Sei que Lucas é inocente. E agora? Torna-se evidente que Thomas Vinterberg idealizou uma abordagem diferente. A caça. O homem íntegro e bom que toda a gente conhece torna-se a presa. Dúvidas, malícia e boatos cercam-no e atacam. A sua comunidade é agora o seu mais feroz predador. Talvez. Não sei bem. Não o cheguei a sentir. O sangue e lágrimas de Lucas acabam por não ser suficientes. Apesar da belíssima cena na igreja, em que um intenso e devastado Mads Mikkelsen quase me fez esquecer o terrível simplismo que contaminou uma tão promissora premissa. E, de súbito, o insípido e incongruente final confirma os meus receios: fui irremediavelmente defraudada.


06 janeiro 2014

Momentos (XXI)







"I'm not formed by things that are of myself alone. 
I wear my father's belt tied around my mother's blouse, 
and shoes which are from my uncle. 
This is me."

(Stoker - 2013)



28 dezembro 2013

Thor





Convém talvez dizer que eu nunca li os comics, nem de Thor nem do restante universo Marvel, e só conheço de forma ligeira alguma história das suas personagens. Ou seja, a minha crítica centra-se apenas no filme em si, não tendo bem em conta a adaptação. 

E assim posso afirmar que fui agradavelmente surpreendida. Não estava à espera que o filme tivesse uma abordagem tão shakesperiana e penso que Kenneth Branagh foi bem-sucedido nessa transposição. Nota-se que houve cuidado em desenvolver a personagem de Thor e o seu percurso. Claro que ajuda ter um Anthony Hopkins como Odin, com toda a sua presença e aquela voz magnética. E Chris Hemsworth cria um “sólido” Thor, numa clássica viagem, mas sempre emocionante, de queda e redescoberta. Aliás, a química entre as personagens é outro grande trunfo desta adaptação; saliento ainda a perseverante Natalie Portman e o incrível Tom Hiddleston como Loki (que conheci primeiro nos Avengers, é o que dá não os ver por ordem), o vilão carismático e travesso. A caracterização de Asgard está igualmente excelente, mostrando um universo poderoso mas não demasiado fantasioso. 




Desta forma, entramos neste universo a um ritmo cativante e enérgico, com bons momentos de acção e humor, que não descurando a história/mitologia, nos oferece um entretenimento sólido e contagiante!


06 dezembro 2013

The Counselor








Existem palavras a mais, conversas demasiado longas, divagações (quase) filosóficas. Na sua maioria, dignas de nota até. O problema é que um filme não sobrevive só disso. Principalmente se o argumento for pouco claro, sem destino. Principalmente se não formos capazes de nos preocupar com as suas personagens. Por vezes, elas parecem apenas desfilar, magnificamente vestidas e em excelentes carros. E contudo, há intenção de construir mistério, tensão, dúvida, desconforto. Repare-se em alguns diálogos entre Fassbender/Pitt e Fassbender/Bardem ou a cena final do (apesar de tudo, consistente) Fassbender. O filme parece procurar densidade, magnitude. Mas esbarra em algum non-sense e, acima de tudo, na ilusão de que tudo o que funcionaria num livro, funciona igualmente no grande ecrã. Cormac McCarthy, responsável pelo argumento, oferece-nos belos momentos de tensão e violência…mas as partes não fazem o todo, Riddley Scott não lhe dá a volta…e o filme quebra-se nessa inconsistência.






“There is no rule of exchange here, you see. Grief transcends every value. A man would give whole nations to lift it from his heart. And yet with it you can buy nothing.” 


24 novembro 2013

Gravity








É a imensidão do vasto. A beleza do infinito. Livre e quimérico, desenhado em pungente azeviche. A possibilidade do imensurável. É o terrível do imenso sem limite. Do breu camuflado de luz. De um grito abafado pelo vácuo. De um vasto que, num embate, se torna subitamente claustrofóbico. É um olhar em súplica, um corpo em posição fetal, solidão e silêncio, desespero. Luta e conquista. Reencontrar-se quando se julga não ser nada mais que um ínfimo ponto à deriva. Tocar. Sentir. Recuperar-se. Abraçar por fim a gravidade. 





31 outubro 2013

Novamente Em Cena



Da Gaiola, nem sempre Dourada, permaneceu a jovialidade e o humor de uma sincera homenagem. Aos pais, à família, a esse passado. Foi assim que o vi, esquecendo por vezes aqueles momentos mais lamechas ou convenientes, pensando em como, de uma forma tão simples e irónica, se conseguiu brincar e superar os nossos tão nossos clichés.





Quatro décadas, oito presidentes. Nos bastidores, um homem. Silencioso, servil, invisível. O Mordomo. Da personagem, percebe-se a caracterização. Pena é que tal se estenda ao modo de construção do filme que de grandioso só tem mesma a intenção.






Idade Média. Peste Negra. O Bem e o Mal. Claro que o Sean Bean tem que estar envolvido…E claro que o Sean Bean tem que…wanna guess? Se pensavam que já não existiam mais formas diferentes de lhe pôr fim, bem, pensem novamente! Ou então não, que Black Death não vale o esforço! Como parceiro de aventura, tem o Eddie Redmayne, que de cantor menos “miserável” passa a monge com problemas amorosos e problemas de expressão! E depois aparece a Melisandre…ai não, é só a mesma actriz, agora loira e sem um pingo de emoção, apesar do mesmo vestido vermelho! “Black Death”? É mais “brain dead” e nem assim, de “cérebro desligado”, o aconselhava!







14 julho 2013

Stoker





Stoker, poesia em movimento. Um jogo de cores e olhares e planos. Oh como é bom ser tão incessantemente seduzida! Um jogo de mistérios e segredos e manipulações. Oh como é bom ser tão delicadamente ludibriada! 






Em Stoker, nada é o que parece. E se o argumento é de raiz uma trama de olhares cruzados, meias palavras e dissimulações, a câmara de Chan-wook Park é, inquestionavelmente, o gran maestro desta perversa e magnética ilusão. A sombra do desconhecido, a inocência de um vestido esvoaçando no vento. A sinfonia de sapatos em crescendo. Família e sangue. O dedilhar do piano em intenso sufoco, em sublime erotismo. Família e sangue. Sangue e enigmas. Mia, perturbado olhar casto. Matthew, carismático predador. Ou como o mal, sempre arrepiante, pode constituir também uma surreal beleza.



"Just as a flower does not choose its color, we are not responsible 
for what we have come to be. 
Only once you realize this do you become free, 
and to become adult is to become free."


07 julho 2013

World War Z







Antes de mais, não vejam o trailer! A sério, não vejam! Haverá coisa mais anti-climática que revelar todas as cenas de renome, ainda por cima de forma sequencial? Segundo, não estejam à espera do gore de “The Walking Dead” ou da reflexão proposta em “28 Days Later”. Aqui, a violência é “limpinha” e inócua e qualquer réstia do dilema da sobrevivência face a um apocalipse é rapidamente ofuscada por surreais cenas de acção. Por último, fechem os olhos a inconsistências várias (afinal, como alguém me disse, este é um filme sobre zombies). 

Depois disto, o que resta? “World War Z”, apesar dos seus defeitos, ainda é capaz de entreter a sua audiência. Tem momentos visualmente estonteantes (entre tantas, e mesmo que privada de algum sentido, a cena de Jerusalém é assombrosa), um herói cativante que nos faz acreditar na sua luta e uma tensão palpável e desconfortável, exemplar no caso do complexo de vacinação. Pena é o rumo final que decidiram dar à história, uma solução desastrada e ilógica para um happy ending fácil e com vista a sequela.