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29 novembro 2014

Interstellar






Amor entre galáxias. Amor que desafia o espaço-tempo, amor que cria “wormholes”, amor que persiste e luta por entre a vastidão do universo (in)finito. 

Em “Interstellar”, o amor é a força motora. Uma viagem intergaláctica e multidimensional (literal e metaforicamente, acrescento) que, na sua luta por sobrevivência, se redime pelo amor. Pois se é verdade que a construção visual da sua premissa é hipnoticamente exímia, pois se as questões e hipóteses científicas que levanta nos intrigam e estimulam, não há dúvidas que é a componente emocional da sua narrativa que notoriamente nos prende ao ecrã. Se a visão do Gargantua ou a passagem pelo wormhole nos fascinam, são o desespero e a perseverança de Cooper que verdadeiramente nos comovem. As suas lágrimas são tanto ou mais impressionantes que os hercúleos tsunamis do planeta aquoso. E isso diz-me muito. Não com tanta elegância ou eloquência como outros o poderão fazer, mas nem por isso com menos significado ou sentimento.


01 dezembro 2011

Memento


Now…where was I?




Assistimos ao final, ao acto concretizado. Ele está satisfeito. Subitamente, um flash sobressalta-nos. Uma polaroid desvanece-se em mistério. As imagens retrocedem, em lenta desconstrução. Tal como ele, agora um fantasma. O puzzle está desfeito. A viagem começa.


“Memory can change the shape of a room;
it can change the colour of a car. 
And memories can be distorted. They’re just an interpretation, 
they’re not a record and they’re irrelevant if you have the facts.” 


Nesta estrada de dois sentidos, busca-se a verdade, deseja-se a vingança. Mas quem o guia? Memórias? Factos? Ou instinto? Em qual pode ele confiar?




“I have to believe that when my eyes are closed, 
the world’s still there.”


Por entre uma bruma de incertezas e dúvidas, é hábil e genial o modo como Nolan nos confunde, manipulando-nos subtilmente num quebra-cabeças não só existencial, como até moral e ético. No centro, esse nebuloso espectro, um magnífico Guy Pearce, condicionado a funcionar, corpóreo somente pela tinta indelével, seguro apenas da evidência das suas fotografias e anotações. “Certainties. It's the kind of memory that you take for granted.” Contudo, é exactamente com a possibilidade de ilusão que Nolan joga, a qual, acentuada pelo excelente trabalho de montagem de Dody Dorn, cria um deveras original e desafiante clássico.