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04 janeiro 2016

Crimson Peak



A crítica contém spoilers!







"Crimson Peak" é, com grande desgosto meu, uma bela promessa falhada!

O seu mistério desvanece-se efusivamente ainda sem o primeiro acto ter terminado: o carácter dos irmãos é precocemente revelado e a natureza da sua relação é expressa de forma gritante no olhar da personagem de Jessica Chastain na cena da valsa: aquele não é algo fraterno, antes um fogoso ciúme carnal!
Aura de mistério desfeita, que resta?
É verdade que a nível visual o filme é soberbo em compor a atmosfera saturada e pesada própria de um romance gótico, quer na construção da casa, como espaço físico e como entidade, quer na criação dos fantasmas, esses que funcionam mais como subtexto do que como impulso do filme. Não nego que tal me enlevou...Contudo, sem um desenvolvimento forte e certeiro da narrativa, essa atmosfera, apesar de bela, é insuficiente!
Além disso, nem as próprias interpretações são especialmente cativantes: se Jessica Chastain é de um exagero forçado, Tom Hiddleston e Mia Wasikowska são, digamos, mortiços!

Esperava muito, mas muito mais de "Crimson Peak" que, ao invés de ser portentoso e denso e intrigante na construção deste mistério gótico, se revela apenas como de execução mediana e nada satisfatória!


27 fevereiro 2015

A Most Violent Year






É curioso e belo e desconcertante. Neste que toma lugar num dos mais violentos anos de Nova Iorque, invulgarmente a violência é parca e discreta, uma perseguição sem mácula ou uma esparsa mancha na gélida neve! Um ano mais violento é apenas o contexto, não o tema, subtil mas tenso, como um demorado nevoeiro que ensombra o dia.

"The result is never in question, just the path you take to get there." E o caminho não é claro, nem a direito, constrói-se por entre manobras e dúvidas, discursos e manipulações. E o caminho é feito de palavras e negociações, longo e inquieto, um caminho que treme entre os dois gumes da faca, entre a honestidade do presente ser e a promessa fácil de um futuro. O caminho quer-se honrado e limpo. Será tal possível?





Sóbrio e arrojado, "A Most Violent Year" é dono de uma inefável classe e inteligência, que se permeiam desde o soberbo trabalho de J.C. Chandor às brilhantes composições de Jessica Chastain e Oscar Isaac! Uma pérola que merece ser vista e sentida.


29 novembro 2014

Interstellar






Amor entre galáxias. Amor que desafia o espaço-tempo, amor que cria “wormholes”, amor que persiste e luta por entre a vastidão do universo (in)finito. 

Em “Interstellar”, o amor é a força motora. Uma viagem intergaláctica e multidimensional (literal e metaforicamente, acrescento) que, na sua luta por sobrevivência, se redime pelo amor. Pois se é verdade que a construção visual da sua premissa é hipnoticamente exímia, pois se as questões e hipóteses científicas que levanta nos intrigam e estimulam, não há dúvidas que é a componente emocional da sua narrativa que notoriamente nos prende ao ecrã. Se a visão do Gargantua ou a passagem pelo wormhole nos fascinam, são o desespero e a perseverança de Cooper que verdadeiramente nos comovem. As suas lágrimas são tanto ou mais impressionantes que os hercúleos tsunamis do planeta aquoso. E isso diz-me muito. Não com tanta elegância ou eloquência como outros o poderão fazer, mas nem por isso com menos significado ou sentimento.


15 janeiro 2012

The Debt





A dívida. Ao seu país. À sua família. A ela própria.
Um segredo que os consome há três décadas, presos na sua máscara de heróis.

The Debt assume-se como um cativante mistério, conjugando eficazmente a tensão da Guerra Fria com a dor do Holocausto. A estrutura em flashbacks acentua notoriamente o sentimento de desconhecimento e desconfiança. 
Jessica Chastain, sempre graciosa, transmite brilhantemente a vulnerabilidade, força, inexperiência e dedicação da sua personagem. Helen Mirren e Tom Wilkinson são competentes secundários. 
Apenas o filme me desapontou ligeiramente. Isto é, a decisão da personagem principal, como nos é mostrada, pareceu-me verdadeiramente precipitada.


Ainda assim, lembrar-me-ei de The Debt como um aliciante filme, constantemente harmonizado pela graça de Jessica Chastain.





11 janeiro 2012

Jessica Chastain





A simplicidade e a etérea presença em "The Tree of Life".



A vivacidade e a ingenuidade em "The Help".



A vulnerabilidade e intensidade em "The Debt".


Num piscar de olhos, surgiu do anonimato para o reconhecimento, afirmando-se como um dos nomes mais versáteis e carismáticos da sua geração. A mim, sem dúvida, conquistou-me!


21 dezembro 2011

The Help



You is kind
You is smart
YouViola Davis is important




Tenho a certeza que não era apenas à pequena Mae Mobley que Aibilee recordava estas palavras. Era também a si própria. Uma vida inteira como serviçal, ou "help", termo que designava as criadas negras que trabalhavam como domésticas, mas principalmente como amas das famílias brancas sulistas.

Parece-nos incrível tal desumanidade. E pensamos...bem, foi há 50 anos. Mas rapidamente nos apercebemos que não foi assim há tanto tempo. Surpreendentemente, numa época de tão turbulenta mudança, os direitos civis eram algo que ainda precisava de ser conquistado. Se Martin Luther King discursava, com fervorosa paixão, se o Norte já começava a ser mais tolerante, por outro lado o profundo           Sul dos EUA nem sequer considerava a questão, escondendo-se atrás dos mantos e máscaras do Klu Klux Klan para violentar a comunidade negra. Ou atrás de um racismo tão institucionalizado que era motivo de natural conversa na reunião semanal de bridge das senhoras sulistas, sob o mote da saúde e higiene.

São essas provocações, insultos e humilhações que o filme retrata de forma consistente e séria, sem puxar ao melodrama ou à lágrima fácil, e pontuado ainda por eficazes momentos de humor. Tudo a um ritmo tão fluido que nem sentimos o tempo a passar!

Se é inicialmente a personagem de Emma Stone, irreverente, jovem e idealista, que, pela sua ambição e inconformismo, pretende alertar para estas injustiças, é sem dúvida a coragem e força de Aibilee e Minny que catalisam a subtil mudança e a concretização do livro. Esplendorosas interpretações de Viola Davis e Octavia Spencer. Engrçado é pensar que a própria Skeeter também se queria impor e ser alguém, numa época e, em último caso, local em que as mulheres se deviam resignar a ser esposas e mães. Emma Stone porta-se lindamente e confirma-se como um grande talento da nova geração.
No extremo oposto a estes ideais, encontra-se a personagem de Bryce Dallas Howard, interpretando tão convincentemente esse ódio, mesquinhez e ignorância que é verdadeiramente fácil desprezá-la. Por último, Celia Foote, tão doce e sincera quanto desequilibrada, maravilhosamente moderna e tolerante. Magnífica Jessica Chastain. Destaque ainda para Sissy Spacek, a pequena dose de loucura e bom humor!

Concluo com uma afirmação bastante simples: adorei o filme! Com um leque de excelentes interpretações, "The Help" surge como uma das mais contagiantes e inspiradoras histórias do ano!