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16 janeiro 2015

Enemy






Chaos is order yet undeciphered. 


Já tinha este debaixo de mira há algum tempo, principalmente por ser uma adaptação do livro “O Homem Duplicado” de José Saramago, de premissa curiosa e desenvolvimento acutilante, propício, como habitual, a uma boa reflexão. Lida a obra, foi então hora de me dedicar ao filme. 

E dedicar não foi uma mera força de expressão…”Enemy” é sem dúvida um daqueles vertiginosos quebra-cabeças passíveis de muitas e díspares interpretações e saúdo-o por isso. Foi habilmente escrito e realizado e Jake Gillenhaal é fenomenal no modo como, através de pequenas nuances, trejeitos, expressões ou gestos, compõe duas (in)distintas personagens. Mas ainda assim não me cativou. 

E porquê, perguntarão? Eu sei que esta não foi uma adaptação per se e, como disse anteriormente, a narrativa em si, mesmo se diferente, foi engenhosamente desenvolvida. Mas a comparação é inevitável e o facto é que se o filme coloca muitas perguntas, o livro levanta muitas mais. É bastante mais desafiador da ética e moralidade da sua personagem principal, conduzindo-a a um destino bem diferente do apresentado no filme, mesmo considerando as várias possibilidades que a sua própria construção oferece.





Teria eu uma outra opinião se não houvesse “O Homem Duplicado”? Talvez…não nego nem a excelência nem a irreverência de “Enemy”, apenas não me encheu as medidas. Assim, apesar das inegáveis qualidades que lhe aponto, para mim “Enemy” acaba por ser inferior a “O Homem Duplicado”, no sentido em que lhe falta o arrojo e a perversão finais que encontrei na obra de Saramago.