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29 dezembro 2014

Joyeux Noël






O frio. A morte. A neve gélida e a lama viscosa. O medo. A doença. O desespero. O horror da trincheira no horror de uma guerra que ainda mal começara. O inimigo sempre à espreita; para existir guerra tem que existir um inimigo! E contudo, naquele Natal, a imagem do inimigo desvaneceu-se, os cânticos sobrevoaram as trincheiras e a terra de ninguém foi ocupada pela união, pela cumplicidade, pela esperança!

Joyeux Noël”, co-produção europeia, retrata de forma emocionante e sensível este episódio singular da História: a confraternização espontânea e não autorizada entre as tropas alemãs, francesas e britânicas em vários pontos de trincheira no Natal de 1914. E o filme é soberbo na apresentação dessa dualidade, desse contraste: comparemos a ferocidade das declamações feitas pelas crianças logo na cena inicial com a sinceridade do Merry Christmas, Frohe Weinachten e Joyeux Noël proferida pelos oficiais; ou a violência das baionetas e da artilharia com a generosidade com que os soldados trocaram comida, bebida, histórias e fotografias; ou a hipocrisia do sermão do bispo com a comunhão de todos os presentes naquela missa de Natal improvisada. Sempre magistralmente encenado, sempre brilhantemente representado. Diane Kruger, Daniel Brühl, Guillaume Canet, Benno Fürman, Gary Lewis, Alex Ferns…destacar alguém seria injusto… 

“Joyeux Noël” toca-nos ao coração de forma pungente e séria porque nos mostra e nos dá a esperança em acreditar que mesmo nos momentos mais negros e amargos existirá sempre uma réstia de humanidade que lutará por se impor.


12 junho 2011

Ma Mère



« Tu sais Pierre, je crois pas de tout à la perversité.
Je crois pas parce que ça n’existe pas.
Et ta mère le sait mieux que moi. »





Repulsivo. Desconfortável. Insinuante. Por um ínfimo segundo, o olhar afasta-se. Não mais. Tornamo-nos contrariados voyeurs de uma viagem sem limites até ao abismo do hedonismo, da sexualidade, da imoralidade. Lado a lado, eles afundam-se na crueldade do desejo. Isabelle Hupert, atroz e fria deusa. Louis Garrel, vulnerável e revolto menino. Despedem-se ao som de Happy Together, perturbador e quase ofensivo antagonismo.




Me and you and you and me
No matter how they toss the dice
It had to be
The only one for me is you
And you for me
So happy together


11 outubro 2010

Et voilà! Bravo au cinéma français!





Sans toi les émotions d’aujourd’hui ne sont que
la peau morte des émotions d’autrefois.

(Hipolito, Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain)


A saltitar por 6 cidades, oferecendo ao público português a oportunidade de conhecer um vasto, diferente e virtuoso panorama cinematográfico! Absolutamente a não perder!


03 novembro 2009

Persepolis

(sessão dupla na RTP2, integrado na “Festa do Cinema Francês”)

Um retrato verdadeiro, arrepiante e doloroso sobre a Revolução Islâmica no Irão e o consequente fundamentalismo religioso islâmico que se abateu sobre o país! Simultaneamente, é também um testemunho extraordinário, na primeira pessoa, de como foi crescer e ser mulher no Irão e, ainda por cima, uma opositora ao regime!
Um filme que me cativou a cada cena e que gostei imenso! É arrebatador, original, com uma temática bastante forte e difícil, mas que de certa forma é aliviado pelo facto de ser narrado pela própria Marjane Satrapi, pois a história é contada de uma forma pessoal, cativante e séria mas também deliciosamente divertida! Por último, é um filme espantoso a nível visual, com o “design” adoptado da “graphic – novel” que o enriquece maravilhosamente e o torna ainda mais peculiar, especial e belo!
Uma obra-prima do cinema francês e do cinema de animação!