Mostrar mensagens com a etiqueta Guillermo del Toro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Guillermo del Toro. Mostrar todas as mensagens

04 janeiro 2016

Crimson Peak



A crítica contém spoilers!







"Crimson Peak" é, com grande desgosto meu, uma bela promessa falhada!

O seu mistério desvanece-se efusivamente ainda sem o primeiro acto ter terminado: o carácter dos irmãos é precocemente revelado e a natureza da sua relação é expressa de forma gritante no olhar da personagem de Jessica Chastain na cena da valsa: aquele não é algo fraterno, antes um fogoso ciúme carnal!
Aura de mistério desfeita, que resta?
É verdade que a nível visual o filme é soberbo em compor a atmosfera saturada e pesada própria de um romance gótico, quer na construção da casa, como espaço físico e como entidade, quer na criação dos fantasmas, esses que funcionam mais como subtexto do que como impulso do filme. Não nego que tal me enlevou...Contudo, sem um desenvolvimento forte e certeiro da narrativa, essa atmosfera, apesar de bela, é insuficiente!
Além disso, nem as próprias interpretações são especialmente cativantes: se Jessica Chastain é de um exagero forçado, Tom Hiddleston e Mia Wasikowska são, digamos, mortiços!

Esperava muito, mas muito mais de "Crimson Peak" que, ao invés de ser portentoso e denso e intrigante na construção deste mistério gótico, se revela apenas como de execução mediana e nada satisfatória!


18 dezembro 2014

The Strain


A crítica que se segue contém SPOILERS!








Confesso que era uma série que esperava com alguma ansiedade! Tinha gostado imenso do livro, capaz de construir uma narrativa original, tensa e empolgante a partir de um tema já tão imensamente badalado (falei nisso aqui), e ao volante da adaptação, como produtores e argumentistas, estariam nada mais nada menos que os seus autores! Ou seja, as minhas expectativas eram algo elevadas e, assim sendo, (aparentemente) justificadas.

E corri a ver o primeiro episódio. E…meh. Já lhe dediquei uma análise mas deixo um resumo: não me arrebatou como os primeiros capítulos que o inspiraram, porque mostrou em demasia, não criando nem dúvida nem verdadeiro suspense. Contudo, como o leitor é sempre um crítico mais aguerrido e como, apesar de tudo, até gostei da interpretação de David Bradley e do nível de gore apresentado, resolvi dar-lhe uma oportunidade!

E qual o veredicto final, perguntam vocês? DESILUSÃO! Sim, assim mesmo, em maiúsculas, maiúsculas de raiva e revolta! Como é que é possível? Como? Como é que partindo de material de qualidade e tendo como produtores/argumentistas os criadores da trilogia se faz isto? Não se enganem: estamos na presença de uma história sem um fio condutor lógico e coerente, de personagens construídas de forma oca (excepção feita a David Bradley e ao seu Abraham Setrakian e ainda a Richard Sammel e ao seu Thomas Eichorst), de uma narrativa ocupada por clichés e perdas de tempo quando o material de origem tem tanto por explorar…que desperdício!

Ora vejamos:

• O primeiro episódio, como já foi dito, falha claramente em criar a atmosfera adequada de tensão e mistério, ao preferir mostrar logo o Mestre e o ataque na morgue ao invés de nos apresentar todas aquelas questões e dúvidas sobre a “morte” do avião e o aspecto (exterior e interior) dos cadáveres que, no livro, sucessivamente nos aguçavam a curiosidade! E este foi o episódio realizado por Guillermo del Toro…e ao longo da série esse problema mantém-se…

• O momento escolhido para mostrar o eclipse foi simplesmente errado…fazia muito mais sentido como estava no livro, aliando a praticabilidade do momento com o seu misticismo e simbolismo!

• A relação entre Setrakian e Goodweather foi basicamente adulterada…no livro tornaram-se gradualmente mentor e aluno, formando-se até quase uma espécie de laço parental…enquanto na série senti sempre alguma desconfiança e por vezes animosidade de Goodweather para com o velho professor, o que prejudicou a evolução da história.

• Porque insistir na descrença sobre o que se está passar? Inicialmente até se percebe mas qual o sentido de ao fim de 8 episódios, depois de já terem sido atacados por vários strigois e os terem exterminado, depois de terem filmado um ataque de um strigoi e o seu posterior abate, depois de já terem assistido por inúmeras vezes às consequências da transformação em strigoi e assim confirmado as explicações de Setrakian sobre a praga, ainda acharem que uma cura é possível! Pior ainda, continuarem a receber as explicações do professor com uma mistura perfeitamente irritante de cepticismo e arrogância!

• Por falar em arranjar uma cura, e tendo em conta que a transformação em strigoi sempre foi retratada como um mecanismo de infecção vírica, a sério que dois epidemiologistas de referência tentaram salvar alguém arrancando meramente o, convenientemente único, (naquele momento) parasita do corpo do hospedeiro, e já passado um tempo considerável após o momento de infecção?

• Um flagrante exemplo de clichés e perda de tempo: a sério que passámos um episódio inteiro ( “Creatures of the Night”) encurralados num sítio vulnerável, a discutir sobre tópicos já explicados, à espera que mais e mais strigois chegassem, para que nos últimos 10 minutos arranjassem uma solução extremamente fácil para sair dali? Não, a sério, é que não é só mais um cliché, como foi retratado de modo simplesmente estúpido! Quer dizer, um dos strigoi quebra uma larga porção de vidro da porta, ele e os outros têm mais que tempo suficiente para entrar em força…e contudo, esse primeiro espera convenientemente no exterior até ser exterminado por uma lâmpada de UV-C, enquanto os outros não fazem o menor esforço para entrar!!!

• Tenho muito mal a dizer sobre a maioria das personagens mas a Dutch Velders é certamente a pior! Por que raio introduziram na história esta hacker duvidosa (com pretensões falhadas de Salander) para…wait for it…”deitar abaixo” a Internet? Porquê? Como? A sua relevância confirmou-se como não existente, pura e simplesmente! Devia ter sido logo sugada…

• As personagens de Ephraim Goodweather e Nora Martinez também deixaram muito a desejar. Corey Stoll ainda parecia promissor no primeiro episódio mas logo descarrilou para uma personagem aborrecida e incapaz de transmitir o seu desespero, para além de que a sua atitude para com Setrakian me irritou solenemente! Por sua vez, Mia Maestro foi simplesmente insípida ao longo de toda a série e a sua interpretação desvirtuou totalmente a personagem forte e pragmática do livro.

• Outro exemplo de péssima construção da narrativa: a transformação da Kelly Goodweather. Não teria sido bem mais emocionante mostrar esse processo só depois de ela aparecer a Zack e Eph? Assim assistimos à sua transformação, ficámos 2 ou 3 episódios sem saber mais nada e depois, bum, zero suspense e lá esta ela versão strigoi a ameaçar os seus “loved ones”?

• E ainda outro exemplo de desaproveitamento: o exército de strigois foi apresentado de estrondo mas depois foi simplesmente abandonado…mais valia terem-nos só mostrado num dos episódios finais…

• E chego à desilusão maior: o Mestre. A sua entrada em cena, o seu aspecto físico, o seu papel na evolução da história…tudo soube a pouco! Já me queixei que a sua apresentação foi um pouco anti-climática. Para piorar a situação, o Mestre é muito menos tenebroso que o descrito no livro: a parecença com o Mestre da série Buffy não lhe é favorável, tornando-o até mais ridículo que ameaçador. E, por último, senti que, ao invés de participar activamente na narrativa, foi a modos que encaixado quando desse jeito.

Enfim… Depois desta imensa lista, parece impossível descortinar algum ponto positivo no meio desta salgalhada! Contudo, tenho que deixar um elogio às prestações de David Bradley e Richard Sammel, que compuseram excelentes e cativantes personagens, e ainda à caracterização dos strigoi.


Concluindo, mesmo com a ressalva anterior, assistir a “The Strain” acabou por ser penoso. Ver o seu potencial desperdiçado episódio após episódio foi sem dúvida desmotivador e frustrante!


20 julho 2014

The Strain (2014): Night Zero



“O mal seguia-o sempre de perto.”



A seguinte crítica contém spoilers!!!





“A Estirpe”, primeiro da trilogia escrita por Guillermo del Toro e Chuck Hogan, foi para mim uma leitura absolutamente assombrosa! Uma história magistralmente contada e desenvolvida sob um ponto de vista surpreendente e inovador (Vampiros descritos como uma infecção vírica de proporções apocalípticas? Contem comigo!), imersa numa atmosfera quase sufocante de tensão, gore e suspense! Escusado será dizer que devorei o livro num piscar de olhos, sedenta por mais! Por isso, quando soube da adaptação ao pequeno ecrã, fiquei extremamente curiosa e ansiosa por conhecer o resultado final. E ora bem, o que é que eu posso dizer sobre o piloto, “Night Zero”?

Mixed feelings, mixed feelings everywhere! E começo já pelos pontos negativos, para não deixar dúvidas! O primeiro é gritante e corrói logo a tensão e sobressalto permanentes que o espectador deveria sentir: não precisam de mostrar logo tudo, que raio! Não percebi porque mostraram logo o Mestre no avião, ou o ataque do Mestre ao controlador aéreo, ou o ataque dos recém-infectados na morgue! Não poderiam construir um pouco mais de dúvida e especulação em redor do que se passou naquele avião ao invés de nos espetarem logo na cara, sim, são vampiros?! O segundo ponto está intimamente relacionado com o anterior: devia ter sido dado mais enfâse à análise do avião e dos cadáveres, às diversas anomalias que um e os outros apresentavam. Eu percebo que o livro é o livro e a série é a série, ou seja, nem tudo pode ser apresentado como foi descrito, mas esse acumular de inconsistências e questões é tão brilhantemente desenvolvido no livro, contribuindo para o seu suspense, que foi uma pena ver a forma atabalhoada como essa parte foi mostrada neste episódio! Até digo mais, a cena em que a menina regressa a casa do pai provocaria mil vezes mais impacto e incredulidade se todos esses aspectos que referi ainda não tivessem sido mostrados! E quando é o próprio Guillermo del Toro a realizar este episódio, ainda fico mais surpreendida por estas opções...






Mas nem tudo foi mau, nada disso! A primeira impressão dos protagonistas foi positiva, Corey Stoll como Ephraim Goodweather mostrou mais carisma do que eu esperava e também gostei da interpretação de David Bradley como Abraham Setrakian (mesmo com os Red Wedding feelings…não, estou a brincar). E apesar das deficiências apontadas a nível da construção do episódio, ainda se conseguiu sentir tensão e mistério, principalmente na inspecção ao avião e na tal cena da menina com o pai! E pressinto um favorável nível de gore, por isso, vamos em frente!


Concluindo, não foi um episódio piloto assombroso, que nos cativa de imediato. Obviamente que conhecendo o material de origem, as comparações são inevitáveis e o apontar das falhas é também mais fácil, provavelmente! Contudo, visto que este episódio também demonstrou o seu ar de graça, estou disposta a dar uma oportunidade à série, esperando que esta consiga de facto transmitir o espírito do livro e me faça, tal como ele, ficar sedenta por mais!