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04 janeiro 2016

Crimson Peak



A crítica contém spoilers!







"Crimson Peak" é, com grande desgosto meu, uma bela promessa falhada!

O seu mistério desvanece-se efusivamente ainda sem o primeiro acto ter terminado: o carácter dos irmãos é precocemente revelado e a natureza da sua relação é expressa de forma gritante no olhar da personagem de Jessica Chastain na cena da valsa: aquele não é algo fraterno, antes um fogoso ciúme carnal!
Aura de mistério desfeita, que resta?
É verdade que a nível visual o filme é soberbo em compor a atmosfera saturada e pesada própria de um romance gótico, quer na construção da casa, como espaço físico e como entidade, quer na criação dos fantasmas, esses que funcionam mais como subtexto do que como impulso do filme. Não nego que tal me enlevou...Contudo, sem um desenvolvimento forte e certeiro da narrativa, essa atmosfera, apesar de bela, é insuficiente!
Além disso, nem as próprias interpretações são especialmente cativantes: se Jessica Chastain é de um exagero forçado, Tom Hiddleston e Mia Wasikowska são, digamos, mortiços!

Esperava muito, mas muito mais de "Crimson Peak" que, ao invés de ser portentoso e denso e intrigante na construção deste mistério gótico, se revela apenas como de execução mediana e nada satisfatória!


06 janeiro 2014

Momentos (XXI)







"I'm not formed by things that are of myself alone. 
I wear my father's belt tied around my mother's blouse, 
and shoes which are from my uncle. 
This is me."

(Stoker - 2013)



14 julho 2013

Stoker





Stoker, poesia em movimento. Um jogo de cores e olhares e planos. Oh como é bom ser tão incessantemente seduzida! Um jogo de mistérios e segredos e manipulações. Oh como é bom ser tão delicadamente ludibriada! 






Em Stoker, nada é o que parece. E se o argumento é de raiz uma trama de olhares cruzados, meias palavras e dissimulações, a câmara de Chan-wook Park é, inquestionavelmente, o gran maestro desta perversa e magnética ilusão. A sombra do desconhecido, a inocência de um vestido esvoaçando no vento. A sinfonia de sapatos em crescendo. Família e sangue. O dedilhar do piano em intenso sufoco, em sublime erotismo. Família e sangue. Sangue e enigmas. Mia, perturbado olhar casto. Matthew, carismático predador. Ou como o mal, sempre arrepiante, pode constituir também uma surreal beleza.



"Just as a flower does not choose its color, we are not responsible 
for what we have come to be. 
Only once you realize this do you become free, 
and to become adult is to become free."