Mostrar mensagens com a etiqueta Jude Law. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jude Law. Mostrar todas as mensagens

25 maio 2013

Side Effects






Numa constante encruzilhada, a ambiguidade ensombra-nos a visão, tolda-nos os passos. Ela nunca sorri, devolve-nos apenas um olhar vazio, ausente. Tentamos imaginar o abismo em que ela se encontra, impotente, achamos que um sentido olhar de preocupação é suficiente para a impedir de cair. “Depression is the inability to construct a future.” Mas agora, esse futuro está à pequena distância de um comprimido por dia. Acenamos, o psiquiatra bem-parecido só pode inspirar confiança, tal como os anúncios sorridentes que pululam de gare em gare. E depois, um crime é cometido. Em choque, procura-se uma explicação. A dúvida surge, subtil e traiçoeira. A questão não é quem foi, antes de quem é a culpa. Uma tríade de suspeição. Eventos precipitam-se, vidas são interrompidas. A incerteza cresce e cresce, num galope de tensão. A moralidade esbate-se perigosamente, num limite cada vez mais vago entre dever e verdade. E de súbito, desilusão.







Frustante. É dessa forma que Soderbergh nos trata. Presenteia-nos com uma premissa inteligente, desafiante e actual. Tem uma Rooney Mara camaleónica e carismática, num misto apaixonante de vulnerabilidade, manipulação e pura maldade. Por que diabos achou que uma vendetta era a forma ideal de fechar o jogo? Sinceramente, para um filme que explora de modo frontal e provocador temas tão sensíveis, este final soube-me a pouco. Ligeiramente preguiçoso. A duplicidade das suas personagens era o seu maior trunfo. Com esta resolução, parece que nos querem convencer da “bondade” e razão suprema de um dos lados.  Que efeito adverso este!


09 janeiro 2012

Contagion





O elenco do ano...totalmente desperdiçado...é, de imediato, o que me faz lembrar Contagion. Foi desolador assistir a tamanha desorientação, a uma narrativa sem rumo na qual os actores apenas estão lá, sem chama ou força. Qual o sentido da história de Marion Cotillard ou do escândalo envolvendo a personagem de Laurence Fishburne?
O filme até começa de forma intensa, mesmo perturbadora. O conceito em si tinha bastante potencial, precisamente por poder constituir uma ameaça...assustadoramente real! Contágio. Medo...paranóia...anarquia...violência...devastação. Hipotética situação que, infelizmente, não é retratada eficazmente, nem verdadeiramente sentida, enrolando-se num argumento receoso e numa montagem esquemática.
Uma forte desilusão, assim é Contagion.