Existem palavras a mais, conversas demasiado longas, divagações (quase) filosóficas. Na sua maioria, dignas de nota até. O problema é que um filme não sobrevive só disso. Principalmente se o argumento for pouco claro, sem destino. Principalmente se não formos capazes de nos preocupar com as suas personagens. Por vezes, elas parecem apenas desfilar, magnificamente vestidas e em excelentes carros. E contudo, há intenção de construir mistério, tensão, dúvida, desconforto. Repare-se em alguns diálogos entre Fassbender/Pitt e Fassbender/Bardem ou a cena final do (apesar de tudo, consistente) Fassbender. O filme parece procurar densidade, magnitude. Mas esbarra em algum non-sense e, acima de tudo, na ilusão de que tudo o que funcionaria num livro, funciona igualmente no grande ecrã. Cormac McCarthy, responsável pelo argumento, oferece-nos belos momentos de tensão e violência…mas as partes não fazem o todo, Riddley Scott não lhe dá a volta…e o filme quebra-se nessa inconsistência.
“There is no rule of exchange here, you see. Grief transcends every value. A man would give whole nations to lift it from his heart. And yet with it you can buy nothing.”

