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09 setembro 2015

Hannibal - Folie À Deux



A crítica que se segue contém spoilers!




"That’s all I ever wanted for you, Will. For both of us.

It’s beautiful.”


                      
“The Wrath of the Lamb”. A ira do inocente. Ou o sacrifício do inocente? E poderemos falar verdadeiramente de inocência? Do desenho passou-se à concretização – Maybe this is my becoming. A comunhão consagrada ao negrume do luar. A sincronia dos corpos e das mentes, num pas-de-deux extático e fatal. O abismo nunca foi tão perturbadoramente belo e desolador.

07 janeiro 2014

Jagten (The Hunt)




The world is full of evil 
but if we hold on to each other, it goes away. 






E se o mal surgir da mágoa de uma criança? Mas “As crianças nunca mentem!”, ouve-se uma e uma e outra vez. Mais até do que “Não o fiz. Não sou culpado.” E se esta nuvem de ambiguidade ensombrasse todo o filme, eu não o iria recordar somente pela sua bucólica e singular cinematografia. Pena é que nem por momentos me tolde o juízo. Klara está a mentir. Sei que Lucas é inocente. E agora? Torna-se evidente que Thomas Vinterberg idealizou uma abordagem diferente. A caça. O homem íntegro e bom que toda a gente conhece torna-se a presa. Dúvidas, malícia e boatos cercam-no e atacam. A sua comunidade é agora o seu mais feroz predador. Talvez. Não sei bem. Não o cheguei a sentir. O sangue e lágrimas de Lucas acabam por não ser suficientes. Apesar da belíssima cena na igreja, em que um intenso e devastado Mads Mikkelsen quase me fez esquecer o terrível simplismo que contaminou uma tão promissora premissa. E, de súbito, o insípido e incongruente final confirma os meus receios: fui irremediavelmente defraudada.