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28 dezembro 2013

Thor





Convém talvez dizer que eu nunca li os comics, nem de Thor nem do restante universo Marvel, e só conheço de forma ligeira alguma história das suas personagens. Ou seja, a minha crítica centra-se apenas no filme em si, não tendo bem em conta a adaptação. 

E assim posso afirmar que fui agradavelmente surpreendida. Não estava à espera que o filme tivesse uma abordagem tão shakesperiana e penso que Kenneth Branagh foi bem-sucedido nessa transposição. Nota-se que houve cuidado em desenvolver a personagem de Thor e o seu percurso. Claro que ajuda ter um Anthony Hopkins como Odin, com toda a sua presença e aquela voz magnética. E Chris Hemsworth cria um “sólido” Thor, numa clássica viagem, mas sempre emocionante, de queda e redescoberta. Aliás, a química entre as personagens é outro grande trunfo desta adaptação; saliento ainda a perseverante Natalie Portman e o incrível Tom Hiddleston como Loki (que conheci primeiro nos Avengers, é o que dá não os ver por ordem), o vilão carismático e travesso. A caracterização de Asgard está igualmente excelente, mostrando um universo poderoso mas não demasiado fantasioso. 




Desta forma, entramos neste universo a um ritmo cativante e enérgico, com bons momentos de acção e humor, que não descurando a história/mitologia, nos oferece um entretenimento sólido e contagiante!


14 maio 2011

Léon




O seu olhar, tão doce quanto severo, é terrivelmente penetrante. Num corpo de menina, vive já o desencanto da maturidade. Mathilda, cabelo curto e riso contagiante, num mundo que se esquece da sua infância, que repetidamente a abusa e maltrata. Ele, por sua vez, é furtivo e letal. Porém, esconde no semblante imperturbável suprema sensibilidade e carinho. Léon é o seu nome. Anónimos, cruzam-se levianamente por entre mútuos pecados e misérias. Até que pela melodia ribombante da pistola, selam o seu destino conjunto.




Portentosa obra de Luc Besson, Léon reúne com mestria elementos de suspense, drama e humor, habilmente seduzindo, perturbando ou magoando o espectador. Se o forte argumento é desenvolvido na perfeição, se a tensa e hipnótica banda – sonora se revela por si só um trunfo, são, por fim, as magnificas interpretações o que fatalmente nos deslumbra.
Jean Reno é engenhoso na criação do assassino profissional tão mortífero quanto inocente, inexperiente que é nas lides da amizade e da paternidade.




Gary Oldman, magistral vilão, extrapola absoluta psicose e maldade, ao malogrado som de Beethoven.



E depois temos Natalie Portman. A insubmissa e corajosa Mathilda. E custa-nos crer na sua tenra idade quando sentimos tal imensurável paixão e entrega, quando assistimos à convincente transição da sua personagem, quando nos rendemos à sua determinação, candura, desespero, sagacidade e carisma. Que extraordinária composição!




Curiosa que estava, impressionada fiquei! Léon assume-se como uma sólida e magistral obra, cujo visionamento apenas pode ser tido como irrecusável!


I want love, or death. That's it.


28 fevereiro 2011

I'M THE SWAN QUEEN!





Saturday Night Live: 31 - 13



E agora a sério...

após tal colossal interpretação, tão doce quanto malévola,
alguém duvidava que o Óscar lhe pertencia?





Aqui, nos Independent Spirit Awards, a arrebatar novamente...

e desta vez acompanhada por Darren Aronofsky! :D

Bravo!!!




12 fevereiro 2011

Black Swan





Uma visão em branco esvoaça e alonga-se, por entre as sombras que a cercam. Frágil, desesperada e pueril, sufocada pelo feitiço que se apodera do seu ser. A melodia cresce em intensidade e tensão, as trevas aprisionam o seu corpo e a sua mente, um último movimento para um último aplauso, um último movimento para a derradeira consagração…




Transcendente! Talvez a palavra que melhor faz justiça a “Black Swan”! Uma espiral decadente de emoções e transformações, num perturbante jogo de espelhos, numa incessante busca pela perfeição…Um pas-de-deux de paranóia e tensão, entre o belo e o terrível, entre a inocência e a loucura, numa visceral demanda pela libertação…


Natalie Portman supera-se de forma magistral, diabolicamente perfeita, em perversa e inquietante ruptura, numa apaixonada, desgastante e temível metamorfose! Absolutamente magnífica!




Um genial trabalho de realização de Darren Aronofsky: cada plano, cada close-up ultrapassa a excelência, cada plano, cada coreografia é dona de uma beleza divinamente intoxicante e o crescendo de incerteza e tensão que assustadoramente se acumula termina num extraordinário apogeu!

Nada seria o mesmo sem a sublime e tensa composição de Clint Mansell, numa reinvenção da belíssima partitura de Tchaikovsky! De salientar ainda a riqueza técnica do filme, com uma fotografia e montagem assombrosas, que contribuem de modo excepcional para a construção da dualidade e terror presentes em Black Swan!


Num definitivo e arrebatador bailado, o inevitável concretiza-se, a hipnotizante apoteose sobressalta a audiência! O horror eleva-se, imortalizado pelo rugido dos aplausos.




I was perfect...