25 fevereiro 2014

The World's End






Cinco amigos. Doze pubs. Um objectivo. E muitos problemas! Eis “The World’s End”,num resumo simplista! 

Ora, infelizmente, os problemas não se referem apenas aos desafios que este gang tem de enfrentar ao longo da sua épica e líquida aventura! Achei a história mal concretizada e dirigida: não me pareceu existir um equilíbrio consistente entre a “Golden Mile” e a invasão/dominação. Por outro lado, este capítulo final não possui nem o arrebatamento cómico de “Shaun of the Dead”, nem o seu tom sarcástico e corrosivo! Ainda assim, consegue alguns bons momentos de humor (a memória selectiva de Gary, a interacção entre o grupo, os possíveis nomes para bandas) e umas inspiradas e divertidas sequências de luta! 
“The World’s End” está longe de ser perfeito, pecando na sua ineficiência em conjugar de modo fluido a sua vertente de entretenimento com o desenvolvimento do lado mais sério da sua premissa. No entanto, ainda é capaz de nos arrancar umas boas gargalhadas e, mesmo não sendo plenamente satisfatório, pode bastar para alegrar um dia mais cinzento!


22 fevereiro 2014

American Hustle






Tão plástico como as perucas dos seus protagonistas, tão barato como os decotes das suas protagonistas, “American Hustle” é um engodo de pretensiosismo e falso estilo que rapidamente se desmorona face a um sofrível argumento e insignificantes interpretações. David O. Russel dirige um filme desinspirado e aborrecido, quer na construção da história, previsivelmente linear, quer no desenvolvimento das suas personagens, nas quais aparentemente só se investiu a nível da caracterização física. Lamentável.


12 fevereiro 2014

The Wolf of Wall Street







Deboche, deboche à velocidade da luz! “Cocaine and hockers!”, como brada a personagem de Matthew McConaughey, na sua breve mas verdadeiramente electrizante aparição. Sexo, drogas e especulação financeira! Bem-vindos, contemplem a louca, louca Wall Street, cortesia das memórias de Jordan Belfort! 





“The Wolf of Wall Street”, quinta colaboração entre Scorcese e DiCaprio, é uma trip (quase) sempre em alta e sem retorno, ao impressionante e sujo mundo da especulação financeira. Por entre uma montagem exuberante e inconstante, por entre extravagantes escolhas musicais, por entre uma linguagem agressiva e muitas vezes non-sense, por entre ousadas e até ridículas cenas de sexo, reconhecemos o génio e classe de Scorcese, que no âmago de tanta folia, arquitecta pois um retrato alucinante e ousado, mas nunca moralista, da ganância e corrupção humanas! E depois temos o senhor DiCaprio, prodigioso camaleão, incorporando de forma assombrosa a impetuosa mesquinhez, a apelativa excentricidade, a demolidora arrogância, o animado despotismo que a sua personagem adoptou como mantra! Uma composição de tal modo apaixonante que, mesmo sabendo a sua queda como inevitável e justa, é com fervor que por ele torcemos! Neste corrupio de excessos, destaco ainda o hilariante papel de Jonah Hill e a sedutora interpretação de Margot Robbie; o primeiro em excelente complemento cómico, a segunda, em presença fogosa e determinada! 





Sumptuoso, audaz e vertiginoso, “The Wolf of Wall Street” mantém-nos sequiosos das reviravoltas e esquemas deste lobo que nunca vestiu a pele de cordeiro, mas certamente nos arrebatou como um!


06 fevereiro 2014

Rush







Acho que um dos maiores elogios que posso dar a “Rush” é ter-me mantido, uma não-aficionada da Fórmula 1, completamente absorta e entusiasmada durante os seus 120 minutos! 

O argumento de Peter Morgan, que narra, a excitante ritmo, o trajecto de Niki Lauda e de James Hunt até ao lendário confronto no Campeonato Mundial de 1976, é apaixonante na forma como descreve a ardente e singular rivalidade existente entre os dois. Uma rivalidade que inspirava estas duas personagens antagónicas, exemplarmente interpretadas por Daniel Bruhl e Chris Hemsworth! Bruhl, indubitavelmente carismático, transmite de maneira irrepreensível a disciplina e precisão de Lauda; já Hemsworth é esplêndido no retrato do indomável playboy Hunt! Por outro lado, todo o ambiente e caracterização exalam autenticidade e é assim, de forma visceral e arrebatadora, que Ron Howard nos transporta para os meandros desta época dourada da F1.

“Rush”, sóbrio e sedutor, impõe-se audaciosamente pela extraordinária química entre a dupla de protagonistas, a qual, acima da excelente “mise-en-scène”, lhe confere aguerridamente fidelidade e alma!


31 janeiro 2014

(As) Simetrias [14]








Em Atonement, a verdade sufoca por entre duas visões dos acontecimentos. A de Briony e a de todos os outros.


"I saw him. I saw him with my own eyes."






O que é que Briony viu? O que é que ela imaginou? Presa entre a ingenuidade e o ciúme, presa entre a imaturidade e o desejo de ser levada a sério. 





Presa entre a realidade e a ficção. A sua ficção.


29 janeiro 2014

12 Years A Slave







Há uma quietude desconcertante nas etéreas paisagens sulistas que tão sublimemente nos são oferecidas. O cândido pôr-do-sol, o voo de espontâneas aves ou os ramos que tocam na limpidez do rio não escondem contudo o horror que os circunda. Os paralisantes lamentos de uma mãe, a desesperada ânsia por um toque de afecto, o ressoar sangrento do chicote, a prepotência abjecta movida pela ira e ódio. Não. Antes convivem como centenários vizinhos, em disfuncional e imposta harmonia. Irrompemos, sem licença ou delicadeza, pela profunda América esclavagista. 

Na sua terceira longa-metragem, Steve McQueen, fiel a si mesmo, compõe um devastador e cru retrato da escravatura nos Estados Unidos, que fatalmente nos persegue e atormenta. Que dizer da já referida sobreposição entre a Natureza e violência? “That's Scripter!”, em perversa ironia. Ou da cena do funeral, catarse que ousamos comungar com Solomon? Daí não concordar que haja convencionalismo a assombrar esta obra. Há, sim, na minha opinião, uma substancial diferença para com os seus anteriores filmes: esta não é apenas uma luta de um homem só. “Hunger” e “Shame” estavam centrados nos seus protagonistas, que mesmo díspares, partilhavam no entanto uma miserável e desesperada solidão. Ora “12 Years A Slave”, embora seja obviamente a história de Solomon Northup, não pode assentar somente nesta personagem. Não ignorando a sua individualidade, é para mim inegável que a sua mágoa, a sua impotência e dor são também as de Eliza, as de Patsey, as de Abraham…as de incontáveis e anónimas vozes. Assim, mesmo não sendo o meu favorito é, sem qualquer sombra de dúvida, uma obra de admirável coragem, de arrasadora frontalidade e de extraordinária beleza. 






McQueen, notável maestro, dirige um trio de igualmente excepcionais interpretações. Chiwetel Ejiofor, com garra e comoção, demonstra de forma sólida todo o sofrimento e luta da sua personagem. Lupita Nyong’o, que intensa revelação! A sua terna Patsey, encurralada em impossível e trágica condição, é simplesmente avassaladora. E Michael Fassbender…bem, Fassbender constrói, num degradante crescendo, uma criatura que ultrapassa o vil, o cruel, o déspota, numa composição absolutamente arrepiante! 






Saí devastada. Que melhor elogio lhes posso oferecer?


16 janeiro 2014

The Hunger Games - Catching Fire




"Remember who the enemy is."






Passado um ano, regressamos à arena. Ou, verdade seja dita, e como Katniss dolorosamente se apercebe, nunca chegámos a sair do seu interior.
O segundo capítulo da trilogia " The Hunger Games" retorna em força. Tecnica e visualmente irrepreensível, explora de forma convincente e surpreendente as consequências dos eventos ocorridos nos últimos Jogos. Jennifer Lawrence retoma o seu papel como uma anti-heroína ainda mais destemida e atrevida. Pena é que a sua química com Josh Hutcherson não seja a mais flamejante.
Apesar disto, e sem querer revelar pormenores, "Catching Fire" supera entusiasticamente o seu antecessor, oferecendo-nos o que esse nem sempre mostrou: chama, muita chama!
E na espera que se segue, despeço-me com a questão: cantará o tordo por fim em liberdade?



14 janeiro 2014

Cinematograficamente Musicando (7)




Don't Stop Me Now 

(Queen - 1978)





A energética e contagiante música dos Queen protagoniza um dos momentos mais hilariantes e geniais da brilhante e tão "british" sátira que é "Shaun of the Dead".


07 janeiro 2014

Jagten (The Hunt)




The world is full of evil 
but if we hold on to each other, it goes away. 






E se o mal surgir da mágoa de uma criança? Mas “As crianças nunca mentem!”, ouve-se uma e uma e outra vez. Mais até do que “Não o fiz. Não sou culpado.” E se esta nuvem de ambiguidade ensombrasse todo o filme, eu não o iria recordar somente pela sua bucólica e singular cinematografia. Pena é que nem por momentos me tolde o juízo. Klara está a mentir. Sei que Lucas é inocente. E agora? Torna-se evidente que Thomas Vinterberg idealizou uma abordagem diferente. A caça. O homem íntegro e bom que toda a gente conhece torna-se a presa. Dúvidas, malícia e boatos cercam-no e atacam. A sua comunidade é agora o seu mais feroz predador. Talvez. Não sei bem. Não o cheguei a sentir. O sangue e lágrimas de Lucas acabam por não ser suficientes. Apesar da belíssima cena na igreja, em que um intenso e devastado Mads Mikkelsen quase me fez esquecer o terrível simplismo que contaminou uma tão promissora premissa. E, de súbito, o insípido e incongruente final confirma os meus receios: fui irremediavelmente defraudada.


06 janeiro 2014

Momentos (XXI)







"I'm not formed by things that are of myself alone. 
I wear my father's belt tied around my mother's blouse, 
and shoes which are from my uncle. 
This is me."

(Stoker - 2013)