17 março 2012

Momentos (XX)



[Spoilers -  Drive]





It's exactly how it should be. Confident, he shields her. The world closes around them. Nothing more exists than him and her. Us. Now.

He kisses her gently, but passionately. With a promise in his lips and a goodbye in his eyes.

06 março 2012

Shame




No que se torna um homem quando os seus desejos o controlam? Quando a sua vida, de aparente e feliz liberdade, é afinal, supérflua e sem rumo? Um vazio de obsessão, ausente de emoções e realidade. 




Shame, a segunda longa-metragem de Steve McQueen e a sua segunda colaboração com Michael Fassbender, é um portentoso e sincero retrato de vício e solidão. De um modo quase claustrofóbico, McQueen filma cruamente a crescente degradação e desespero de Brandon (Fassbender), um homem corrompido pela luxúria. A cena da actuação de Sissy (Carey Mulligan) é assim de uma beleza e dor magistrais. Subtilmente reveladora. Tal como toda a cena do encontro e posterior sedução no quarto de hotel. A intimidade é uma (im)possibilidade temida e, por isso, recusada. 




De um homem encarcerado pelos seus ideais a um homem destruído por desejo sem satisfação nem prazer, de Hunger a Shame, Fassbender é novamente de uma entrega surpreendente e avassaladora. Magnificamente angustiante, ele compõe de forma assombrosa este homem à deriva, quebrado e consumido. Por sua vez, Mulligan assume com uma doçura e desequilíbrio comoventes o papel da conturbada irmã de Brandon. 

Encurralados pela intensa e desconfortável banda sonora, agredidos pelos rudes e sublimes planos, seduzidos e magoados pelo oco olhar de Brandon, embarcamos na sua espiral de solidão, raiva, culpa e auto-destruição. Porque esta não é uma história de redenção. Não. Antes um valoroso conto de sordidez e miséria. A vergonha nunca o abandona.




04 março 2012

Shame - Desejo e solidão


A propósito da estreia de "Shame" e antes de publicar a minha crítica, deixo um pequeno texto que escrevi inspirada pelo seu sublime trailer...


(Texto originalmente publicado a 11 de Dezembro de 2011, 
no blogue "Nunca Te Olharei Por Dentro")



Cerca-te uma respiração pesada. Prende-te na confusão dos teus actos. Corres. Queres libertar-te. Esforço em vão. Quase sufocas na claustrofobia do inspirar e expirar. Apercebes-te, tarde de mais, que permaneces na devassidão. Continuas a procurar o calor anónimo dos corpos enrolados em fugaz prazer. Ao teu lado, uma mulher levanta-se. O teu suor prolonga-se-lhe na curva do ombro nu. Sentes-te vazio de emoções. Estás vazio de ti. Já não és nada mais que o instrumento descontrolado do desejo. A seda amarrotada dos lençóis já não consegue esconder a vergonha.



28 fevereiro 2012

Plan 9 From Outer Space


Integrado nas Sessões de Homenagem a Ed Wood do Fantasporto 2012



"Tão mau que é bom" é o lema associado às películas de Ed Wood. Basta um filme para nos convencer de tal. Porque se podemos eventualmente louvar-lhe a sua paixão pelo cinema, o mesmo já não podemos fazer quanto às suas capacidades de realização!

Plan 9 From Outer Space chega-nos com uma premissa peculiar e até promissora. Contudo, fica-se por aí e é desde logo atropelada pelas péssimas actuações, pelos diálogos ridículos, pelos (não) efeitos especiais, pelas falhas de raccord, enfim...por um terrível realização!

No entanto, o incrível está nisso: 50 anos depois, é impossível não gostar ou mesmo delirar com tais mirabolâncias e inconsistências! O péssimo, o ridículo e o terrível não se esquecem, mas contagiam-nos; não questionamos as inconsistências ou os defeitos, antes os apreciamos como verdadeiramente são: hilariantes. Assim, o riso não paira entorpecido como as personagens de Vampira e Bela Lugosi, não! As gargalhadas ressoam facilmente pelo auditório, como se provou nesta sessão de homenagem!

Plan 9 From Outer Space. Louco e inconsequente. Uma desgraça na concretização. Uma pérola de diversão e, porque não, de cinema!

26 fevereiro 2012

Juan de los Muertos



Filme em competição no Fantasporto 2012



Revolucion ou Muerte! 


Astuto e hilariante, Juan de los Muertos é constante e irreverente diversão, lado a lado com uma curiosa sátira política ao regime cubano! Peculiares personagens, efeitos artesanais, um ritmo intenso e bastante gore e humor fazem de Juan de los Muertos um pequeno grande filme, bem ao estilo do Fantas, e, por si só, absolutamente imperdível!

22 janeiro 2012

The Girl With The Dragon Tattoo





Se me pedissem para descrever o filme em breves palavras, de imediato diria: visceral, meticuloso, agonizante e belo. Desde logo, pelo genérico inicial: uma intensa e tumultuosa viagem ao subconsciente das personagens; medos, segredos, fantasmas e desejos num fundo de escuridão e fogo, sob o hino agreste e reinventado de “The Immigrant Song”. Momento que define irremediável e provocantemente o tom do filme: sem limites, sem receios, David Fincher filma de modo vívido e engenhoso a crueldade, o horror e a violência que Stieg Larsson tão cruamente escreveu. O argumento é minuciosamente explorado, contudo a narrativa decorre de forma bastante fluida, distanciando-se do seu homónimo sueco por ser ainda mais agressiva e brusca. Tal deve-se igualmente à indescritível banda-sonora, prodigioso trabalho de Trent Reznor e Aticus Ross que nos envolve numa atmosfera tensa e sufocante de mistério e dor. Atmosfera essa extraordinariamente personificada por Rooney Mara, que com uma entrega surpreendente e arrepiante compõe, de forma fiel, o turbilhão que é Lisbeth: forte, inteligente, vulnerável, frontal, doce, lutadora, torturada e implacável. A seu lado, um desgrenhado e inquisitivo Daniel Craig assume habilmente a integridade e o charme de Mikael Blomkvist. 

Inebriante e perturbador, “The Girl With The Dragon Tattoo” distingue-se da versão sueca pela sua completitude e cadência que o tornam mais eloquente e labiríntico, num impetuoso conto de perversão e maldade humanas em que a esperança surge efémera e gélida.





15 janeiro 2012

The Debt





A dívida. Ao seu país. À sua família. A ela própria.
Um segredo que os consome há três décadas, presos na sua máscara de heróis.

The Debt assume-se como um cativante mistério, conjugando eficazmente a tensão da Guerra Fria com a dor do Holocausto. A estrutura em flashbacks acentua notoriamente o sentimento de desconhecimento e desconfiança. 
Jessica Chastain, sempre graciosa, transmite brilhantemente a vulnerabilidade, força, inexperiência e dedicação da sua personagem. Helen Mirren e Tom Wilkinson são competentes secundários. 
Apenas o filme me desapontou ligeiramente. Isto é, a decisão da personagem principal, como nos é mostrada, pareceu-me verdadeiramente precipitada.


Ainda assim, lembrar-me-ei de The Debt como um aliciante filme, constantemente harmonizado pela graça de Jessica Chastain.





11 janeiro 2012

Jessica Chastain





A simplicidade e a etérea presença em "The Tree of Life".



A vivacidade e a ingenuidade em "The Help".



A vulnerabilidade e intensidade em "The Debt".


Num piscar de olhos, surgiu do anonimato para o reconhecimento, afirmando-se como um dos nomes mais versáteis e carismáticos da sua geração. A mim, sem dúvida, conquistou-me!


09 janeiro 2012

Contagion





O elenco do ano...totalmente desperdiçado...é, de imediato, o que me faz lembrar Contagion. Foi desolador assistir a tamanha desorientação, a uma narrativa sem rumo na qual os actores apenas estão lá, sem chama ou força. Qual o sentido da história de Marion Cotillard ou do escândalo envolvendo a personagem de Laurence Fishburne?
O filme até começa de forma intensa, mesmo perturbadora. O conceito em si tinha bastante potencial, precisamente por poder constituir uma ameaça...assustadoramente real! Contágio. Medo...paranóia...anarquia...violência...devastação. Hipotética situação que, infelizmente, não é retratada eficazmente, nem verdadeiramente sentida, enrolando-se num argumento receoso e numa montagem esquemática.
Uma forte desilusão, assim é Contagion.