23 dezembro 2010

Já não te sinto em mim...


Já não te sinto em mim...
Minto. És ainda uma sombra no meu coração, um incómodo e doloroso pensamento.
Outrora íntimos, somos agora desconfortáveis estranhos. A delicadeza do cumprimento obriga-nos a um olhar, se por acaso nos cruzamos, mas evitamos prolongar este formal contacto. O que antes era natural passou a obrigação.
Perdemos o pouco e indefinido, embora valioso, que já tínhamos construído. Afastámo-nos e não devido a uma mera distância geográfica, antes pela tua súbita e confusa indiferença e a minha consequente reacção, fruto de orgulho e mágoa. Situação que julgo como irremediável.
Já não te sinto em mim...Mentira e desejo coabitam no meu coração. Contradições que a razão não cura.
Já não te sinto em mim...O dia chegará. E não o lamento.




21 dezembro 2010

The Town




Fragmentado. É o que me ocorre depois de ver “The Town”, a segunda volta de Ben Affleck no papel de realizador. Fragmentado e ultimamente inconsistente. A premissa afigurava-se como interessante, não necessariamente original mas apelativa, contudo o que senti no final foi incompletude. Incompletude como consequência de um pobre desenvolvimento das personagens, flagrante no caso do protagonista. Não seria suposto conseguirmos sentir e viver as suas dúvidas, os seus receios, o seu dilema enquanto dividido entre a fidelidade ao seu passado e a esperança de um recomeço, longe da sua “família”, longe da sua cidade, junto da mulher que ama? E neste ponto não culpo o argumento, antes a medíocre interpretação de Bem Affleck, incapaz de imprimir à sua personagem a vulnerabilidade e inquietação necessárias.




No entanto, nem tudo peca em “The Town”. Suportado por um competente grupo de secundários, com especial destaque para Jeremy Renner e Jon Hamm, é ainda capaz de proporcionar bons diálogos e tensos momentos de confronto.




Concluindo, não desgostei de “The Town” mas soube-me a pouco, fruto também de um trailer mais prometedor que o próprio filme. Talvez com uma segunda visualização lhe seja mais favorável.

16 dezembro 2010

O que andei eu a perder!!!



Don Draper: Advertising is based on one thing: happiness. And do you know what happiness is? Happiness is the smell of a new car. It's freedom from fear. It's a billboard on the side of a road that screams with reassurance that whatever you're doing is OK. You are OK.




I love it!


Os figurinos...

A banda-sonora...

Que bela e excitante recriação do ambiente dos sixties!


E que magníficas interpretações!

E que excelentes diálogos!


Grande mas grande série!




14 dezembro 2010

Globos de Ouro 2011





O que dizer/comentar quando a maioria dos filmes nomeados ainda nem sequer estrearam em Portugal? "Prognósticos só no final do jogo"? Pois...

Os nomeados já são conhecidos...resta-me um breve comentário:

-"The King's Speech" é o grande favorito com 7 nomeações, seguido bem de perto por "The Social Network";

-"The Black Swan" (muita mas mesmo muita curiosidade e antecipação!) está indicado para Melhor Realizador e, na categoria de Drama, para Melhor Filme, Melhor Actriz e Melhor Actriz Secundária;




-"Inception" surge em força, nomeado para Melhor Filme Dramático, Melhor Argumento, Melhor Banda Sonora e ainda Melhor Realizador para Christopher Nolan;

-O "meu" Johnny Depp arranca uma dupla nomeação! E na mesma categoria! Contudo, e apesar de ter gostado muito de "Alice in Wonderland" e da sua interpretação, não me parece suficiente para uma nomeação...(nem acredito que consegui escrever isto :/)...fico à espera de "The Tourist";




No que diz respeito à televisão, fiquei bastante contente de ver "The Walking Dead" nomeado! O meu comentário à série ficará para outra ocasião...direi apenas que em meros 6 episódios conseguiu conjugar de forma magnífica uma arrepiante dose de violência e gore com uma excelente e necessária intensidade dramática!




Nota final para absurda ausência de Shutter Island, Martin Scorcese e Leonardo DiCaprio!




11 dezembro 2010

102 anos de génio!




“I don’t know if a career like his will ever be possible again.
There’s a sense with Manoel that he feels profoundly he has a lot more to say.
I think that still comes across in his movies,
and that’s pretty amazing.” John Malkovich sobre Manoel de Oliveira


Aniki-Bobó (1942)


O realizador mais velho ainda no activo...

Tão badalada, é contudo insuficiente para descrever Manoel de Oliveira!

Uma referência cultural!
Um orgulho de Portugal para o mundo!

Venham mais anos e venham mais filmes!


Parabéns senhor Manoel de Oliveira!



04 dezembro 2010

A Clockwork Simpsons


Bem sei que já fiz uma pequena referência a esta faceta dos The Simpsons...mas não lhes resisto!



"Dog of Death" - 3.19



"Treehouse of Horror III" - 4.05



"Duffless" - 4.16



"Treehouse of Horror XXI" - 22.04


Genial e hilariante!



"This would sharpen you up and
make you ready for a bit of the old ultra-violence."


25 novembro 2010

Harry Potter and The Deathly Hallows


[spoilers]



Despedida, mágoa, separação, tristeza…são tempos deveras negros e dolorosos, estes que antecedem o último ano em Hogwarts. Mas Harry Potter não vai para Hogwarts. Nem Ron. Nem Hermione. Tudo está mudado. Dumbledore morreu. Voldemort prepara o seu reinado de terror. Há apenas uma esperança. Encontrar as Horcruxes e destruí-las. E assim destruir Voldemort. Mas quando a última esperança se afigura como desoladamente gargantuesca e inalcançável, um misto de desespero, perseverança e sacrifício instala-se. E é esse espírito que vemos em Harry e Ron, olhando determinados para o horizonte, para a jornada que se aproxima…e é esse olhar que vemos em Hermione quando, comovida, apaga as memórias dos seus pais para os proteger e se afasta do seu lar, num início de filme mais poderoso, tocante e revelador do que qualquer um dos seus antecessores!




“Harry Potter and The Deathly Hallows” restaurou quase completamente a minha fé na adaptação cinematográfica. Bastou a sombria introdução para perceber que finalmente uma abordagem mais adulta e complexa estava em curso: ao destacar o sacrifício de Hermione, quando no livro é apenas uma referência, Yates consegue amplificar o temível ambiente causado pela ameaça de Voldemort e, apesar disso, a maturidade e coragem que os três protagonistas tão inocentemente demonstram. Embora talvez o mais sonante, não foi, felizmente, um momento único. A cena (totalmente improvisada) de dança entre Harry e Hermione, ao som de Nick Cave, mostrou uma rara sensibilidade, uma deleitável prova da profunda amizade que os une, enquanto as as interacções entre os 3 protagonistas foram capazes de ilustrar tanto a lealdade, a amizade e o amor presentes como a desconfiança, as inseguranças e os confrontos que inevitavelmente iriam surgir ao longo desta relação.
A narrativa corre assim, fluida, dramática e terrífica, pontuada por breves momentos de humor (valha-nos Ron e os seus irmãos gémeos!) e conseguindo condensar, de modo quase perfeito, a extensa história que, com as suas diferentes mitologias, lendas, subtemas e personagens, dá vida ao hercúleo, complexo e fascinante sétimo volume, provavelmente o meu preferido! Contudo, e daí a minha hesitação inicial, sente-se uma alarmante incompletude em pelo menos dois pontos, para mim essenciais: Severus Snape, figura crucial a partir do sexto livro, e com um inimaginável e surpreendente papel neste último, é relegado novamente para a invisibilidade, aparecendo justamente por breves minutos; a descrença de Harry em Dumbledore e o consequente conflito interior entre a busca pelas Horcruxes e a demanda pelos Talismãs da Morte são pobremente desenvolvidos, perdendo-se, com estas duas fraquezas, muita da necessária intensidade e tensão para o culminar da narrativa.




Se o argumento peca por estas duas grandes falhas, a nível técnico, pelo contrário, o filme é irrepreensível! Efeitos especiais extraordinários e doseados, sem se sobreporem à história, e totalmente ofuscados pela melancólica, dramática, lúgubre e saturada fotografia, num belíssimo trabalho do “nosso” Eduardo Serra!
Em termos interpretativos, terei que destacar o magnífico trabalho de Emma Watson que domina todas as cenas, criando como nunca uma verdadeira Hermione, sensível, inteligente, destemida, perspicaz!
Nota final para a deslumbrante sequência do conto d’Os Três Irmãos, em inesperada animação, deveras hipnotizante!

“Harry Potter and The Deathly Hallows” conseguiu, nesta sua primeira parte, fascinar-me com a sua refrescante e adulta perspectiva, urgentemente necessária, fazendo esquecer a malfadada adaptação anterior! Apesar de algumas pontas soltas, aguardarei (ansiosamente) até Julho para dar o meu veredicto final!
Termino com o sincero desejo que a saga encerre em grande, numa homenagem épica à fabulosa e inesquecível obra de J.K. Rowling!




18 novembro 2010

É hoje!



The Dark Lord Ascending


"Yaxley. Snape," said a high,clear voice from the head of the table, You are very nearly late."
The speaker was seated directly in front of the fireplace, so that it was difficult, at first, for the new arrivals to make out more than his silhouette. As they drew nearer, however, his face shone through the gloom, hairless, snake-like, with slits for nostrils and gleaming red eyes whose pupils were vertical. He was so pale that he seemed to emit a pearly glow. "






"I have been careless, and so have been thwarted by luck and chance, those wreckers of all but the best laid plans. But I know better now. I understand those things that I did not understand before. I must be the one to kill Harry Potter, and I shall be."


"Harry Potter and The Deathly Hallows"





17 novembro 2010

Parabéns...Martin Scorcese




"Movies touch our hearts and awaken our vision,
and change the way we see things.
They take us to other places, they open doors and minds.
Movies are the memories of our lifetime
We need to keep them alive."



Taxi Driver (1976)



Goodfellas (1990)



Cape Fear (1991)



Gangs of New York (2002)


The Aviator (2004)