14 fevereiro 2013

Warm Bodies




R. é um homem como qualquer outro; desesperado por estabelecer uma ligação com outra pessoa. Só há um pequeno problema: R é um zombie!

Numa altura em que o universo zombie está novamente em força, Warm Bodies surge como uma comédia romântica nada convencional, juntando amor, horror e humor em saudáveis doses, contudo nem sempre com sucesso. Se a primeira parte está bem estruturada, com um ritmo excitante e mordaz, a segunda metade do filme peca por uma resolução demasiado rápida e fácil do conflito, sem grande emoção. Porque não um final “feliz” mais diferente e ousado?

Ainda assim, palmas a um adorável Nicholas Hoult, que nos traz um cativante e tímido R., a uma banda-sonora multifacetada e a uma narrativa que, não sendo impecável, nos proporciona encanto e boas gargalhadas!




31 janeiro 2013

Les Misèrables





Tecnicamente, Les Misérables entra em cena com uma mestria irrepreensível. Cenários, guarda-roupa e coreografias conjugam-se habilmente no intuito de seduzir o espectador. E conseguem-no. Pena é que não o cativem, que não o inflamem!

Um filme não pode viver apenas da forma, do deslumbre do olhar. Mesmo um musical. E de facto, não fosse pela entrega de Anne Hathway, pela paixão de Eddie Redmayne, pela dor de Samantha Barks ou pelo burlesco da dupla Helena Boham Carter/ Sacha Baron Cohen, e Les Misérables limitava-se a ser um mero desfilar de canções. No seu conjunto, falta-lhe alma! É algo desolador ver como os miseráveis, os da fome, os da miséria, os da injustiça, foram acossados pelo jugo do coro, sem uma concreta ou intensa voz. O contexto social e político da obra ficou dessa forma, se não esquecido, pelo menos bastante negligenciado, sob uma panóplia de números musicais que, a certa altura, se revelam penosamente longos. Não nego a existência de momentos extraordinários, dos quais destaco o “I Dreamed A Dream” de Hathaway ou o “Empty Chairs At Empty Tables” de Redmayne (e repito, estes dois são verdadeiramente portentosos!) mas penso que Tom Hooper tanto quis ser grandioso que acaba por pecar por um excesso de formalismo e pomposidade, esquecendo-se de desenvolver aceitavelmente quer a narrativa quer as personagens!

Assim, e apesar de algumas excelentes interpretações e sequências contagiantes, Les Misérables falha em transpor toda a carga emocional, histórica e social do épico que a pena de Victor Hugo tão arrebatadamente redigiu, não alcançando sequer a sumptuosidade a que se propôs.


28 janeiro 2013

The Impossible






Podia ter sido um mero dramalhão a explorar a tragédia que foi o tsunami de 2004, numa insuportável ou abjecta história “bigger than life”. Felizmente, não o é, nem sequer de tal se aproxima. 

“The Impossible” surge como um conto de sobrevivência e esperança, cru e inspirador. Que nunca se esquece da sua origem, “this is a true story”, espelhando uma sobriedade e uma humanidade tão necessárias, quanto sinceras. Qualidades essas, fruto não apenas do distinto e inventivo trabalho de Juan Antonio Bayona, mas também (principalmente, atrevo-mo) dos seus actores, magnífica e corajosa trindade: Naomi Watts, Ewan McGregor e Tom Holland. A agressividade com que a câmara trata Watts – veja-se a tumultuosa e pormenorizada cena em que é arrastada pela corrente ou, mais tarde, na sequência do hospital – é séria, quase obsessiva, mas nunca esquemática ou sem propósito, e Naomi Watts transmite na perfeição a dor e o desespero da sua personagem. Tom Holland, absoluta surpresa, de um prodigioso desempenho que faz sombra à sua tenra idade, revela uma candura, uma força e pragmatismo que nos impressionam do início ao fim. Pena é que McGregor não tenha tido o espaço suficiente para desenvolver a sua personagem, embora a sua “quebra” ao telefone seja, sem dúvida, um dos pontos altos do filme. 

Íntegro e consciente, “The Impossible” é sublime no modo como devasta o espectador, sem manipulações ou lágrimas fáceis, abraçando por completo a dimensão humana da história que nunca explora.

11 novembro 2012

(As) Simetrias [11]




Billie Jean 

Michael Jackson - Thriller (1982)




Billie Jean

Chris Cornell - Carry On (2007)


02 outubro 2012

Haywire



Há uns tempos vi Haywire. Pensem de mim o que quiserem mas foi o nome de Michael Fassbender que me chamou ao ecrã. Lixei-me. Se a primeira metade ainda possui algum dinamismo para além das sequências de porrada (sem desprezo, é daquela seca e bruta que já não é costume ver-se), a segunda descai para uma latência e previsibilidade que a falta de um verdadeiro enredo agrava. Gina Carano não aguenta a personagem e os secundários Douglas, Banderas e McGregor parecem meros fantoches. Fassbender é sempre carismático, contudo o seu charme é infelizmente insuficiente para dinamizar um filme que cai rapidamente em piloto automático.





30 setembro 2012

Cinematograficamente Musicando (6)




Howlin' For You

 The Black Keys - álbum Brothers (2011)



Apresentado como um trailer, "Howlin ' For You" surge como uma paródia aos sexploitation films, com   uns toques à "Desperado"!

E sabem que mais? Eu ia ver este filme! 

10 junho 2012

Dark Shadows




Tim Burton é um dos meus realizadores de eleição. Johnny Depp é um dos meus actores preferidos. E esta dupla sempre será uma das minhas favoritas. Confesso, no entanto, que Dark Shadows me desiludiu…e muito.

É verdade que o tom excêntrico e gótico a que Burton nos habituou está presente, a acompanhar a sempre peculiar história do outsider que inevitavelmente nos conquista. E Johnny Depp, esse extravagante, é eternamente magnífico nesse papel. Infelizmente, isso não é suficiente. 

O argumento peca pelo seu desequilíbrio e previsibilidade, vergonhosamente notória no final, que sem um verdadeiro clímax, é antecedido, à falta de melhor palavra, por uma mixórdia de revelações sem efeito ou consequência. Desoladora é igualmente a composição de Victoria (Bella Heathcote): se no início é apresentada como uma personagem fulcral, surge antes fraca e nada coerente. 

Dark Shadows revela-se assim incapaz de manter uma premissa excitante e bem desenvolvida. Vale pela interpretação de Depp e pela tocante banda-sonora. Para muitos, pouco significará. Para os amantes de Burton e Depp, fica um amargo de boca. 



A ambos: regressem rapidamente à boa forma!

15 abril 2012

Chuva Dramática



Não são raras as vezes em que o cinema se abriga sob a chuva em momentos de grande intensidade narrativa. A chuva abençoou a paixão do beijo em The Notebook, caiu quase tão ameaçadora quanto o ataque do T-Rex em Jurassic Park, desabou desafiadora no ataque a Helm’s Deep em LOTR: The Two Towers.





Mas nem sempre…em Seven, o climax ocorre sob a bênção de um dia brilhante de Sol. Parece que foi uma mera casualidade, uma questão de continuidade. Contudo, gosto de pensar que este foi um outro toque de perversidade num dos thrillers mais perturbadores e obsessivos das últimas décadas.


09 abril 2012

The Hunger Games



May the odds be ever in your favor.





Um subtexto promissor com uma sátira social bem incisiva. Uma primeira parte desenvolvida impecavelmente, de narrativa fluida e cativante. Jennifer Lawrence radiante e audaciosa. Stanley Tucci histericamente divertido. E depois chegam os Jogos…e, perdoem-me o trocadilho, não fiquei faminta por mais. Não sei se por falhas ou condicionalismos da obra original (que, confesso, não conheço), se por pressões de tempo/dinheiro, o facto é que a segunda parte se desenrola de forma apressada e desequilibrada. Assim, é incapaz de nos fazer preocupar verdadeiramente pelo destino das personagens secundárias e, pior, atira a protagonista para uma relação amorosa no mínimo duvidosa e, parece-me, contra a sua própria natureza. The Hunger Games. Gostei mas não me impressionou. No fundo, falta-lhe aquilo que mais precisaria: chama.

01 abril 2012

Florbela




Turbilhão na alma, tumulto no coração. Sôfrega de vida, ávida de paixão, mente despedaçada em inquieta insatisfação. 




É assim a Florbela de Vicente Alves do Ó. Aliás, Bela, a mulher, porque Florbela, a poetisa, só no fim nos encanta com os seus versos. A poesia pertence assim a Vicente Alves do Ó, um sonho dentro de um sonho, num filme visualmente esplêndido e, pela sua natureza, deliciosamente subjectivo. Contudo, apesar da grandeza da imagem, este não seria o mesmo sem Dalila Carmo, simplesmente arrebatadora, fúria e amor em constante colisão! Albano Jerónimo e Ivo Canelas, não obstante a necessidade de um desenvolvimento mais completo das suas personagens, são, ainda assim, seus magníficos companheiros. 




“Ser poeta é ser mais alto…” e aqui reside talvez a falha maior do filme. Alguma soberba contamina este retrato; para mim, visível principalmente naquela premonição sob a neve. No entanto, tal não é, felizmente, definidor do filme, uma obra ousada e bela, sedutora e contagiante no seu âmago, espelho de uma mulher fora do seu tempo.