28 fevereiro 2012

Plan 9 From Outer Space


Integrado nas Sessões de Homenagem a Ed Wood do Fantasporto 2012



"Tão mau que é bom" é o lema associado às películas de Ed Wood. Basta um filme para nos convencer de tal. Porque se podemos eventualmente louvar-lhe a sua paixão pelo cinema, o mesmo já não podemos fazer quanto às suas capacidades de realização!

Plan 9 From Outer Space chega-nos com uma premissa peculiar e até promissora. Contudo, fica-se por aí e é desde logo atropelada pelas péssimas actuações, pelos diálogos ridículos, pelos (não) efeitos especiais, pelas falhas de raccord, enfim...por um terrível realização!

No entanto, o incrível está nisso: 50 anos depois, é impossível não gostar ou mesmo delirar com tais mirabolâncias e inconsistências! O péssimo, o ridículo e o terrível não se esquecem, mas contagiam-nos; não questionamos as inconsistências ou os defeitos, antes os apreciamos como verdadeiramente são: hilariantes. Assim, o riso não paira entorpecido como as personagens de Vampira e Bela Lugosi, não! As gargalhadas ressoam facilmente pelo auditório, como se provou nesta sessão de homenagem!

Plan 9 From Outer Space. Louco e inconsequente. Uma desgraça na concretização. Uma pérola de diversão e, porque não, de cinema!

26 fevereiro 2012

Juan de los Muertos



Filme em competição no Fantasporto 2012



Revolucion ou Muerte! 


Astuto e hilariante, Juan de los Muertos é constante e irreverente diversão, lado a lado com uma curiosa sátira política ao regime cubano! Peculiares personagens, efeitos artesanais, um ritmo intenso e bastante gore e humor fazem de Juan de los Muertos um pequeno grande filme, bem ao estilo do Fantas, e, por si só, absolutamente imperdível!

22 janeiro 2012

The Girl With The Dragon Tattoo





Se me pedissem para descrever o filme em breves palavras, de imediato diria: visceral, meticuloso, agonizante e belo. Desde logo, pelo genérico inicial: uma intensa e tumultuosa viagem ao subconsciente das personagens; medos, segredos, fantasmas e desejos num fundo de escuridão e fogo, sob o hino agreste e reinventado de “The Immigrant Song”. Momento que define irremediável e provocantemente o tom do filme: sem limites, sem receios, David Fincher filma de modo vívido e engenhoso a crueldade, o horror e a violência que Stieg Larsson tão cruamente escreveu. O argumento é minuciosamente explorado, contudo a narrativa decorre de forma bastante fluida, distanciando-se do seu homónimo sueco por ser ainda mais agressiva e brusca. Tal deve-se igualmente à indescritível banda-sonora, prodigioso trabalho de Trent Reznor e Aticus Ross que nos envolve numa atmosfera tensa e sufocante de mistério e dor. Atmosfera essa extraordinariamente personificada por Rooney Mara, que com uma entrega surpreendente e arrepiante compõe, de forma fiel, o turbilhão que é Lisbeth: forte, inteligente, vulnerável, frontal, doce, lutadora, torturada e implacável. A seu lado, um desgrenhado e inquisitivo Daniel Craig assume habilmente a integridade e o charme de Mikael Blomkvist. 

Inebriante e perturbador, “The Girl With The Dragon Tattoo” distingue-se da versão sueca pela sua completitude e cadência que o tornam mais eloquente e labiríntico, num impetuoso conto de perversão e maldade humanas em que a esperança surge efémera e gélida.





15 janeiro 2012

The Debt





A dívida. Ao seu país. À sua família. A ela própria.
Um segredo que os consome há três décadas, presos na sua máscara de heróis.

The Debt assume-se como um cativante mistério, conjugando eficazmente a tensão da Guerra Fria com a dor do Holocausto. A estrutura em flashbacks acentua notoriamente o sentimento de desconhecimento e desconfiança. 
Jessica Chastain, sempre graciosa, transmite brilhantemente a vulnerabilidade, força, inexperiência e dedicação da sua personagem. Helen Mirren e Tom Wilkinson são competentes secundários. 
Apenas o filme me desapontou ligeiramente. Isto é, a decisão da personagem principal, como nos é mostrada, pareceu-me verdadeiramente precipitada.


Ainda assim, lembrar-me-ei de The Debt como um aliciante filme, constantemente harmonizado pela graça de Jessica Chastain.





11 janeiro 2012

Jessica Chastain





A simplicidade e a etérea presença em "The Tree of Life".



A vivacidade e a ingenuidade em "The Help".



A vulnerabilidade e intensidade em "The Debt".


Num piscar de olhos, surgiu do anonimato para o reconhecimento, afirmando-se como um dos nomes mais versáteis e carismáticos da sua geração. A mim, sem dúvida, conquistou-me!


09 janeiro 2012

Contagion





O elenco do ano...totalmente desperdiçado...é, de imediato, o que me faz lembrar Contagion. Foi desolador assistir a tamanha desorientação, a uma narrativa sem rumo na qual os actores apenas estão lá, sem chama ou força. Qual o sentido da história de Marion Cotillard ou do escândalo envolvendo a personagem de Laurence Fishburne?
O filme até começa de forma intensa, mesmo perturbadora. O conceito em si tinha bastante potencial, precisamente por poder constituir uma ameaça...assustadoramente real! Contágio. Medo...paranóia...anarquia...violência...devastação. Hipotética situação que, infelizmente, não é retratada eficazmente, nem verdadeiramente sentida, enrolando-se num argumento receoso e numa montagem esquemática.
Uma forte desilusão, assim é Contagion.

30 dezembro 2011

Good Night And Good Luck





A eloquência a preto e branco. A coragem de criticar e questionar. O "atrevimento" de procurar a verdade e de informar o público. Edward R. Murrow. A voz da CBS contra o despotismo de McCarthy. Contra a perseguição. Contra o medo. Contra a ignorância.

A câmara de Clooney é pausada, tranquila. Ritmada ali e acolá, quando o jazz preenche o ecrã (numa nota curiosa, exactamente de 23 em 23 minutos, a duração média de um programa de televisão nos anos 50). Mas é, afirmo, de uma sobriedade impressionante, que se conjuga perfeitamente com o tom do filme. Assim como a magnífica interpretação de David Strathairn que, com um magnética presença e uma voz arrebatadora, dá vida a Edward R. Murrow. A seu lado, brilha um conjunto de grandes secundários: Robert Downey Jr., Patricia Clarkson e o próprio Clooney.




Good Night and Good Luck, um testemunho do passado. Simultaneamente, um alerta para o papel actual dos media e a responsabilidade do jornalismo, num paralelo com a época retratada. Good Night and Good Luck, um nobre clássico.


29 dezembro 2011

Momentos (XIX)





We are currently wealthy, fat, comfortable and complacent. We have currently a built-in allergy to unpleasant or disturbing information. Our mass media reflect this. But unless we get up off our fat surpluses and recognize that television in the main is being used to distract, delude, amuse and insulate us, then television and those who finance it, those who look at it and those who work at it, may see a totally different picture too late… 
(...)

But even if they are right, what have they got to lose? Because if they are right, and this instrument is good for nothing but to entertain, amuse and insulate, then the tube is flickering now and we will soon see that the whole struggle is lost. This instrument can teach, it can illuminate; yes, and it can even inspire. But it can do so only to the extent that humans are determined to use it to those ends. Otherwise it is merely wires and lights in a box. Good night, and good luck.”