Sessão do Fantasporto 2010

Life is a bitch and then you die?
Fish Tank: um retrato magnífico, profundo e não condescendente do crescer, centrado em Mia, uma jovem de 15 anos, indisciplinada, zangada com o mundo, e no que acontece quando conhece o novo namorado da mãe.
Mia é uma personagem magnética: a sua rudeza, a sua má - educação e a sua rebeldia chocam-nos, mas, ao mesmo tempo, não conseguimos deixar de não gostar dela pela sua (escondida) vulnerabilidade, pela sua atitude e pela sua paixão pela dança. Mia está presa à vida nos subúrbios, à sua família problemática e desequilibrada, aos confrontos com tudo e todos. Desespera então por uma saída deste “aquário”, tentando escapar pela bebida e pela dança. A estreante Katie Jarvis é incrivelmente admirável e cativante, oferecendo-nos uma interpretação forte e real! Sentimos a sua revolta e a sua solidão e também a sua inocência, vulnerabilidade e esperança.

Michael Fassbender tem igualmente uma actuação de peso: o seu Connor, carismático e atraente, surge como um foco de esperança e mudança para Mia, encorajando-a e aparecendo como alguém carinhoso e interessado, o oposto do que Mia obtém da família.

Para além das impressionantes interpretações, o melhor de Fish Tank é não ceder nem a clichés, nem ao melodrama, nem a moralismos ou condenações. A história é algo real, algo em que acreditamos e também com o qual nos podemos identificar! As suas personagens não são perfeitas, não se enquadram no típico extremo do bom ou do mau: são antes repletas de dualidade e contradições, num mundo que não é, de facto, a preto e branco, mas sim vivido em diferentes tons de cinzento!
Uma excelência do cinema britânico, um filme soberbo, tão sério como irreverente, definitivamente a não perder!
Obrigado Fantasporto!